sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Lembro-me de que acreditava que a simples mudança de fase na vida tinha um poder quase sobrenatural de transformação. Chegando, então, ao momento que achava que seria um dos melhores, um dos mais diferentes de tudo que já havia vivido, percebo que essa marcação do tempo não era assim tão poderosa como eu imaginava. Muito mais do que o tempo fazer seu papel, era fundamental minha intervenção. Enquanto eu estivesse vendo tudo passar, com os dedinhos cruzados à espera dos milagres, tudo seria frustrante, distante. Tinha a sensação de ver as cenas acontecendo fora de mim, como uma mera espectadora da vida. Havia me esquecido de uma antiga promessa que tinha feito a mim mesma, a de depositar mais vida aos meus dias, mais de mim em tudo o que fizesse. Ser por ser, ter por ter, parecia não fazer sentido algum quando fiz aquela promessa. Incrível como o tempo, às vezes, faz-nos esquecermos de nossos próprios sonhos... Não estava sendo fiel as minhas convicções e expectativas. Precisei mergulhar num mar de insatisfação e monotonia para compreender que o barquinho da vida não vai adiante se só o remo dos sonhos estiver agindo. O remo da ação precisava, em equilíbrio com os sonhos, trabalhar também. Era preciso, ainda, saber que depois das chuva, das frustrações e dos desencontros, vem o arco-íris e a vida, então, encarrega-se de colocar mais cor, mais alegria, até tudo se reencontrar.

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