Era um fim de tarde, quando Nina caminhava em direção à sua casa. Sua mente estava inquieta. Milhões de pensamentos surgiam a todo momento e incessantemente. Seu coração comprimia-lhe o peito de uma forma nunca sentida antes. O motivo de tudo isso? Incertezas! Sua vida, brevemente, deveria tomar algum rumo, porém, ela não sabia o que queria. Uma nova fase. Um novo momento. Novas amizades. Novos amores. E agora, o que fazer? Era necessário intermináveis horas de reflexão. Ajustar tudo aquilo que sentia e recombiná-los de uma maneira que não lhe sufocassem.
Chegando em casa, correu para o lugar onde sabia que poderia encontrar alguma paz. Seu quarto era o local onde ela poderia liberar todas as sensações, pensamentos, indecisões. Poderia sorrir e chorar e ninguém iria julgá-la. Ao entrar naquele ambiente, um certo alívio lhe invadia. Pegou um antigo caderno, que continha um pouco de sua vida, e afundou-se em sua poltrona. Lendo aquelas folhas, viu que sempre precisou enfrentar momentos complexos e decisivos, e aquilo lhe servia de conforto. Também viu o quanto havia amadurecido. Mas ali, no fundo, ainda permanecia aquela mesma garotinha ingênua e sonhadora, que aspirava a uma vida feliz.
Decidiu. Era tempo de saber conciliar todo esse amadurecimento vivido e as adversidades que viriam. Uma nova garota, quase uma mulher. Muitos pensamentos haviam se dissolvido, porém um não queria deixá-la. "E o que faço com todos esses medos que me afligem?" Bem, isso ela ainda não sabia. Sua única certeza era que o tempo havia sido um grande aliado, pois lhe trouxera toda a experiência e o crescimento necessário para entender que, nem sempre, somos capazes de solucionar tudo.
Sentia-se melhor e acabou adormecendo. Até seus sonhos pareciam mais leves. E, engraçado, tudo o que sonhara era como se fosse a concretização de tudo o que havia refletido. Acordou horas depois, ergueu a cabeça e, com os seus retalhos um pouco mais em ordem, sorriu.

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